O Alvor é uma freguesia portuguesa do concelho de Portimão , com 15,25 km² de área e 4 977 habitantes ( 2001). Densidade: 326,3 hab/km².
Terra de tradição marítima e piscatória, de profundas crenças religiosas, assinaladas pela Igreja Matriz, donde se destaca o seu pórtico principal de grande riqueza decorativa, esteve desde sempre sujeita aos fortúnios da faina e infortúnios do mar. Hoje, paralelamente com a pesca de cariz artesanal, a restauração, o comércio e o turismo são as actividades económicas principais.
Alvor é muito conhecida pelas suas praias e pela sua aldeia piscatória junto à foz do rio..
Aqui faleceu, em 25 de Outubro de 1495 , el-rei de Portugal D. João II . Pouco tempo depois, D. Manuel elevou-a a vila sede de concelho, estatuto que viria a perder no início do século XIX . O pequeno município era constituído apenas pela vila e tinha, em 1801 , 1 288 habitantes.
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A ria de Alvor é uma das três zonas húmidas do Algarve e uma das doze do país. A importância que estas zonas têm para a preservação de um ecossistema decisivo para a vida selvagem e natural é atestada pelo facto de lhes ser consagrado um dia mundial e de, em qualquer país civilizado, elas serem objecto de uma protecção extrema, que significa um direito comunitário de "non edificandi" total, de que os primeiros defensores são normalmente os próprios autarcas e populações locais. No caso da ria de Alvor, porém, e apesar de até já ter sido objecto de uma intervenção pessoal em sua defesa de um primeiro-ministro inglês, apesar de estar arrolada como um dos sítios da Rede Natura portuguesa, não existe até hoje nenhuma classificação legal que a proteja da "protecção" dos autarcas e dos interesses imobiliários da ordem. A explicação oficial reside na incapacidade de entendimento de dois organismos do Estado competentes para tal, o que, obviamente, é um eufemismo para significar a permeabilidade dos tais organismos aos interesses subterrâneos que se movem à volta da ria.
Temos, pois, que os senhores presidentes de Lagos e Portimão, aproveitando o Dia Mundial das Zonas Húmidas, resolveram proteger a ria de Alvor. E como se propõem eles fazê-lo, para além das grandes declarações de princípio acima citadas? O melhor é passar-lhes a palavra, porque fica tudo cristalinamente claro, como as águas da ria de Alvor.
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Alvor
onde Aníbal desembarcou com os seus elefantes
Lá no fundo do Pais, no antigo reino dos Algarves, uma terra hoje chamada a primeiro plano no alvorecer do turismo em Portugal, recorda um Rei que a história assinala como sendo o maior de todos dessa gesta heróica que tendo como raiz o conquis-tador, se foi desdobrando através dos séculos para assinalar a presença de quem passou à posteridade com o Invejável título de Príncipe Perfeito.
Essa terra é Alvor e lembra aquele que longe da Rainha, sua mulher e prima, D. Leonor, a das Misericórdias, de seu primo e herdeiro, D. Manuel, duque de Beja e sobretudo da dona de seu Coração e do filho bastardo a quem desejava viesse a cingir a coroa de Avis, ali expirou olhando o mar salgado que seu tio-avô desvirgara, nas arremetidas das caravelas, barcas e náus, na conquista dos segredos da toalha liquida que se desbobinava, na sua frente.
Hoje, quem vai até Alvor em digressão turística, não pode afastar dos seus olhos a vocação dessa figura impar que foi o quarto rei da dinastia fundada por D. João I e ali se finou a 25 de Outubro de 1495, depois de haver permanecido alguns dias nas Caldas de Monchique. Mas em Alvor também tomava banhos de uma água minero-medicinal que se perdeu. Numa rua da vila e numa casa uma lápide, que tem as armas de portugal, assinala ter sido ali que expirou o Homem, como lhe chamou Isabel, a «Católica», Rainha de Espanha.
Vale a pena fixar a frase evocativa que diz: «Neste local onde existiu o palácio do Alcaide-Mór de Alvor, D. Alvaro de Ataíde, faleceu em 1495 EI-Rei D. João II -
1960 - Câmara Municipal de Portimão».
Alvor é uma terra de pescadores e de pequenos lavradores que ao mar e ao solo vão buscar a base da sua economia. Para o turismo está agora voltada. E razões e motivos não lhe mínguam para vir a ser bafejada pelo surto de progresso que numa brisa forte está a soprar por todo o Algarve. Basta fazer lembrar a quem a visita, que naquelas Praias desembarcaram muitas das legiões do cartaginês Aníbal quando , das guerras Púnicas, concebeu o plano de destruiro soberbo e orgulhoso Império Romano, dentro das suas próprias fronteiras. E quem nos não assegura, que foi naquelas terras baixas que os seus famosos elefantes pisaram, pela primeira vez, terra da Península Ibérica?
O certo, segundo asseveram historiadores probos, Aníbal, o cartaginês varou, as suas galeras eriçadas de remos manejados pelos escravos, naqueles areais onde vicejavam as hortas e branqueavam, ao sol do Meio-Dia, os cristais do sal, em pirãmides. Foi assim que a cinco quilómetros mais para nascente chegaram, 436 anos antes de Cristo, os descendentes da deslumbrante Dido exilados das encostas escaldantes da Fenícia. Teria dessa forma de Porto Aníbal nascido em Portimão.
E Alvor ganhará o nome de quando estava sujeita ao domínio árabe e lhe deram o nomo de ALBUR, que quer dizer, campo inculto. De Albur nasceu um dia, Alvor, que se tornou terra de gente ilustre. De assinalar, entre outros, D. Francisco de Távora, primeiro conde de Alvor, que deixou fama de homem valente e honrado. Foi vice-rei na Índia e quando um dia estava cercado por numeroso exército comandado pelo guerreiro Sambagy, teve a feliz inspiração de mandar abrir o túmulo de S. Francisco Xavier e lhe entregar o comando da defesa de Goa. Isso deu alento ás enfraquecidas forças Portuguesas, grande parte das quais era constituída por Indianos. Aproveitando a perseguição que o Grão Mogol movia ao exército do maharata Sahbagy, D. Francisco de Ataíde conseguiu repetir as já lendárias proezas dos feitos de armas, portuguesas em Goa.
O mar em volta de Alvor oferece o cenário inigualável de águas sempre azuis e sempre tranquilas. Tudo convida ao repouso. É ali que Sol passa o Inverno. Ao chamariz do astro rei, descem dos países nórdlcos os descendentes de quantos no século terceiro Invadiram, pela força das armas, a península Ibérica. Chamam-se, agora suecos, noruegueses, dinamarqueses, finlandeses. Com ele os que teimam em ser os mais puros representantes do arianismo. Alvor é uma espécie de pedra preciosa encastoada naquele cenário que o homem está a ajudar a embelezar e chama o turismo. As areias fulvas e as águas oceânicas, espelhentas e calmosas, o ar ambiente ainda não poluído pelas gargantas enegrecidas dos fumos das fábricas; o perfume capitoso e embriagante das flores que espalham nuvens de polen; as manchas dos pomares de figueiras. amendoeiras e alfarrobeiras, emprestam ao ambiente o clima que convida a voltar e
a percorrer o trilho que D. João II calcurriava quando, depois de vencida a longa Jornada de Lisboa a Monchique através da estepe alentejana, ali chegava para procurar alivio padecimentos físicos e retemperança para os seus males de alma.
Séculos passados encontra-se o mesmo ambiente sonhado para ser um autêntico paraíso, o paraíso no sul da Europa, sem a flora esmagadora das terras equatoriais mas oferecendo a quantos ali chegam, a calmia de terras ainda há pouco perdidas mas agora agitadas pelo fulgor de um Portugal renovado. A vila aconchegada no seu casario de sobrados, vivendo o seu povo na temência a Deus e sempre com os olhos postos no mar que lhes dá o pão de cada dia, nascida de um ciclone histórico qual deles não interessa – Aníbal ou os árabes, a verdade é que tal como Troia na foz do Sado, onde numa cidade turística está a nascer, também Alvor, timidamente aconchegada à sombra da igreja de S. Sebastião e que recebeu os favores de Reis e da Natureza vê surgir em volta os arranha-céus de uma cidade do Século XX, quinze passados sobre aquele em que os bárbaros mercenários do cartaginês ali estabeleceram uma colónia de férias a anteciparem aquela que lhes foi fatal : a de Cápua, onde se perderam e perderam cartago.
Só para rememorar o que teria sido o desembarque do famoso guerreiro africano, merece a pena ir a Alvor onde ainda paira, a mergulhar, a luz dos seus olhos na linha do orizonte, a figura envolta em névoa de El-Rei D. João II.
Armando De Aguiar